sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Não vale a pena ter pena

Recebi por email o texto seguinte, que me preencheu as medidas da felicidade - não muito altas, confesso, por deficiência de tamanho físico - no retorno a uma época recuadíssima, da leitura das histórias infantis, em que os bons cumpriam e eram elogiados, em vidas promissoras do Bem sucessivo - embora esta conclusão nem sempre fosse contida no enredo mirífico - e os maus não cumpriam, merecendo por isso o castigo, extinto após o arrependimento – cláusula também nem sempre aí contida. É certo que as leituras posteriores apontavam outros caminhos, mais ou menos poderosos de criatividade e conhecimento psicológico, mas nem sempre negativos, temos que confessar.
Gente boa e menos boa sempre houve nos anais da História. O texto do email pertence à da primeira categoria, mas já o Dom Quixote topou com personalidades de diferentes categorias morais, na sua Mancha, não podemos generalizar as convicções feitas de optimismo confiante na delicadeza castelhana.
Eis o texto:
“Nuestros hermanos não só não inventaram o CES e a sobretaxa especial como, ao nível de Estado, ainda garantem que as pensões subirão todos os anos seja qual for a situação económica e que nunca poderão ser congeladas. E comunicam isso mesmo a cada reformado pessoalmente por carta, com un cordial saludo, em conjunto com outra carta onde comunicam o aumento específico de 2014 a cada reformado.

Senti inveja, é claro, ciente que estava de que os velhos do meu país há muito que constituem encargo a “exterminar”, segundo doutas opiniões, que atribuem essas intenções a quem governa, embora sabendo que são falsas e mal intencionadas. Os velhos no meu país estão inclusos no mesmo plano de austeridade que abarca os novos – excluídos, naturalmente, da lista, os que nunca sentiram, felizmente, as comichões das dificuldades, favorecidos que foram sempre pelas auréolas da prosperidade.
Devíamos pensar mais em conceder ao Governo o crédito da confiança, e esperar por um recomeço mais digno para nós, novos e velhos. Esperemos por Maio, o mês das flores para ver se algo mudará por cá.
A mudança está em nós, é certo, e não julgo que alguma vez nos aconteça o que, segundo o email, acontece em Espanha – a manutenção dos vencimentos dos velhos, o aumento anual e a delicadeza no envio das cartas informadoras. Não por defeito dos Governos, mas por defeito nosso. Seria apenas uma história da carochinha para acrescentar às da infância de outrora.

Um comentário:

Anônimo disse...


Mariana Branco
15:48 (há 1 hora)
para mim

Mariana Branco deixou um novo comentário na sua postagem "Não vale a pena ter pena":

Viva!

O meu nome é Mariana Branco e sou bolseira de investigação do projeto Mulheres Escritoras https://mulheresescritoras.pt .
Estou de momento a realizar uma ficha de autora sobre si para ser publicada na nossa base. Deste modo, questiono se seria possível falarmos sobre o seu percurso enquanto escritora. Teria todo o gosto em conduzir uma investigação mais aprofundada sobre o seu trabalho. Sendo assim, deixo o meu mail mar.00@live.com.pt para futuros contatos.

Muito obrigada desde já pela sua disponibilidade,
Mariana Branco